Menino que não anda não vende picolé
Uma das principais atribuições de um líder é saber ouvir: o cliente, o mercado e o time. O resto da estratégia se sustenta em cima disso.
Uma das principais atribuições de um líder é saber ouvir.
Ouvir o cliente, o mercado e os colaboradores. Essa é a espinha dorsal que sustenta qualquer estratégia — porque número em planilha só faz sentido quando reflete a realidade de quem está na ponta.
Na última semana tive duas experiências intensas que reforçaram isso.
Vitória — polo estratégico em e-commerce
Vitória não é apenas uma capital litorânea. É um polo estratégico para o comércio eletrônico, apoiado em incentivos fiscais e em sua posição logística privilegiada. A cidade atrai operações justamente porque consegue combinar custo competitivo com eficiência — e isso impacta diretamente quem vende online.
Foi nesse cenário que participei do maior evento de e-commerce do Espírito Santo, o [eCommerce.ES](https://www.linkedin.com/company/ecommerce-es/) muito bem organizado pelos [Thiago Munaldi](https://www.linkedin.com/in/thiago-munaldi-96758659/) e [Daniel Costa](https://www.linkedin.com/in/danielcostamkt/) reunindo lojistas, empresários e líderes do setor. No palco, compartilhei ideias sobre como conectar produto, canal e margem com uma visão do novo varejo Brasileiro. Mas o maior valor veio fora do palco.
Nas conversas com clientes, parceiros e futuros clientes, ficou claro o que hoje tira o sono do varejista:
o frete que consome margem,
mix de produtos que trava a conversão,
processos financeiros que drenam caixa.
Estar ali, escutando de perto, reforça a tese: a estratégia só funciona quando nasce da prática.
E no meio de tudo isso recebi um presente simbólico que resume bem essa visão: “Menino parado não vende picolé”. Uma lembrança simples, mas que traduz a urgência de se movimentar, aprender e estar próximo.
Caruaru — o varejo físico respira
De Vitória, segui para Caruaru, no coração do Nordeste, para a maior feira de móveis da região. Caruaru é uma prova viva de que o varejo físico não só respira, como se reinventa.
Vi lojistas que não têm medo de digitalizar, mas fazem isso com os pés no chão. Produzem conteúdo, entendem onde seu cliente realmente está e usam o digital como extensão, não como muleta. É o varejo brasileiro acontecendo na prática — com coragem, trabalho e criatividade.
Ali tive a oportunidade de fazer duas palestras, conversar com parceiros e me aproximar de novos clientes. Mas, acima de tudo, foi um mergulho em como o varejo regional está conectado à economia real do país.
Cultura na prática
Estar presente em Vitória e Caruaru não foi apenas sobre eventos ou vendas. Foi sobre cultura.
Cultura, para mim, não se define em apresentações ou em manuais. Cultura acontece quando o time está junto, ouvindo, vendendo, aprendendo e se relacionando no campo.
É nesse corpo a corpo que liderança se prova: na capacidade de estar junto, dar direção, mas principalmente ouvir e traduzir o que o mercado e os clientes estão pedindo.
Conclusão
Essas jornadas reforçam uma certeza: estratégia sem prática é teoria.
E prática sem escuta é movimento vazio.
O presente que recebi em Vitória traduz isso em uma frase simples:
“Menino que não anda não vende picolé.”
Liderar, no fim, é isso: estar em movimento, ouvir com atenção e agir com clareza
Liderança começa na escuta.
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